Vencedores do Viva a Ilha comemoram a premiação

Conheça os autores as 12 fotografias e suas motivações para participar do concurso.

Durante dois meses e meio, 628 fotógrafos, amadores e profissionais, ‘desembarcaram’ na Ilha do Fundão e postaram, no site do concurso, 755 imagens que traduzem a beleza e a diversidade dessa ilha carioca, localizada na Baía de Guanabara.
 
Conheça os autores das 12 fotos vencedoras e saiba o que os motivou a participar do concurso promovido pela Coppe, em homenagem à Ilha do Fundão. As fotos farão parte de uma exposição durante a cerimônia de premiação, cuja data será divulgada em breve.

Fotógrafos revelam os bastidores da produção das fotos vencedoras

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Ricardo Alves Ferreira

CeTRicardoO físico Ricardo Alves Ferreira, 28 anos, conquistou o primeiro prêmio na categoria Ciência e Tecnologia com a foto Serpente Mecânica, feita em seu local de trabalho. Ricardo é funcionário da Coppe e trabalha com instrumentação científica no LabOceano, o laboratório que tem o tanque de ensaios mais profundo do mundo, cuja foto lhe rendeu o primeiro lugar. "A imagem me lembrou serpentes marinhas, o movimento que elas fazem ao nadar", revelou Ricardo, que fez a foto especialmente para o Viva a Ilha.

"Sempre quis participar de um concurso e, quando surgiu a oportunidade, não pensei duas vezes. A ilha é muito bonita, tem locais que rendem excelentes imagens. Foi muito interessante poder expor a minha visão do lugar em que trabalho ", ressaltou.

Fabio Gama Soares Evangelista

CeTFabioO fotógrafo Fabio Gama Soares Evangelista, 31 anos, obteve o segundo lugar na categoria com a foto Luzes da Ciência e Tecnologia. Professor de fotografia do Senac e da Escola de Imagem, Fabio fez sua foto no Laboratório Nacional de Células-tronco Embrionárias (LaNCE), localizado no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho.

O fotógrafo confessou ter ficado encantado com a máquina, chamada opereta. "Um tipo de escâner que funciona acoplado a um computador e fornece dados muito precisos", explicou. Fabio soube do concurso pela internet e, como pouco conhecia as atividades realizadas na Ilha do Fundão, percorreu vários locais.

"O processo foi bem bacana, e fui muito bem recebido. A Assessora de Imprensa do local facilitou o acesso aos laboratórios. Meus amigos e eu acabamos conhecendo várias pessoas, inclusive integrantes da comissão dos direitos dos pacientes do Hospital Universitário. Graças a esses contatos, vamos oferecer uma oficina de fotografia para os pacientes em março deste ano", revelou.

Nadia Maria Comerlato

CeTNadiaA professora do Instituto de Química da UFRJ Nadia Maria Comerlato, 55 anos, é autora da foto Mushrooms, premiada com o terceiro lugar pelo júri profissional. 

A imagem foi obtida no equipamento de microscopia do professor Paulo Picciani, no Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano. 

“Não sou profissional, apenas gosto de fotografar.  Estava trabalhando com um colega, analisando um material que sintetizei e achei a imagem bonita", explicou Nadia, que soube do concurso pelo site da UFRJ.

"Gostei muito de ter participado. Esperava mais imagens inscritas na área de Ciência e Tecnologia. Seria interessante ter novas edições do concurso", sugeriu.

VIDA NO CAMPUS

Maurício A. C. Aghina


VCO engenheiro eletrônico Maurício A. C. Aghina, 55 anos, conquistou o primeiro lugar na categoria Vida no Campus com a foto Felicidade. Engenheiro do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), localizado na Ilha do Fundão, Maurício começou a fotografar aos 13 anos de idade e, desde então, adquiriu o hábito de ter sempre sua máquina por perto.

Maurício disse que fez a foto em um local da ilha conhecido como Prainha ou Mangue. “Estava muito quente e parei para tomar uma bebida em uma das barracas. Observei as crianças da vila residencial brincando em um isopor dentro da água. Não pensei duas vezes: acionei a câmera, aproveitei o contraste e cliquei. Elas estavam muito felizes e se divertiam muito”, lembra.

Ex-aluno de doutorado do Programa de Engenharia Civil da Coppe, por meio do qual desenvolvia pesquisas no Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce), o autor da foto soube do concurso por um colega da UFRJ e pelos cartazes no campus.

“Gostei muito de participar e de ter tido uma foto selecionada por uma comissão julgadora formada por ‘mestres’, a exemplo do fotógrafo Custódio Coimbra.”

Lívia Vidal do Amaral

VCLiviaLívia Vidal do Amaral, 33 anos, conquistou o segundo lugar na categoria com a foto O voo. Aluna do quinto período de graduação da Escola de Belas Artes (EBA/UFRJ), há um ano trabalha como fotógrafa autônoma.

Segundo Lívia, a foto foi feita por acaso, quando saía do prédio da EBA para uma das aulas de fotografia ministrada pela professora Yoko. “No hall de um dos andares, estava acontecendo uma performance e resolvi registrar a cena. Sabia que renderia uma boa imagem”, afirmou. A aluna soube do concurso pela postagem no Facebook do professor Licius Bossolan, da cadeira de Oficina de Criação da EBA. 

“Gostei muito da iniciativa, principalmente por ter mobilizado pessoas de vários lugares da UFRJ. Conheci algumas delas acompanhando as postagens de suas fotos. Foi muito interessante. Deveria haver mais concursos culturais como esse na UFRJ”, sugere Lívia.

Renan da Silva Ferreira

VCRenanRenan da Silva Ferreira, 23 anos, conquistou o terceiro prêmio na categoria com a foto Moradores da Vila Residencial. Aluno do ensino médio do Colégio Estadual Belmiro Medeiros, na Ilha do Governador, Renan é fotógrafo autônomo e morador da vila residencial da Ilha do Fundão, onde nasceu. 

Renan, que cursou fotografia no Observatório de Favelas, conta que fez a foto em 2012, no dia do seu aniversário, em 5 de agosto, na Vila Residencial. Aproveitou uma queda da luz, juntou seus amigos e fez o registro usando apenas a iluminação do próprio celular.

“Assim que vi os banners de divulgação do concurso, resolvi me inscrever. Foi muito bacana participar do concurso e poder mostrar a Vila residencial e o que ela tem de bom”, afirmou.

NATUREZA E ARQUITETURA

Tchello d’Barros

NATchelloO designer Tchello d’Barros, 46 anos, é autor da foto Construção na Ilha do Fundão, eleita vencedora pelo júri profissional na categoria Natureza e Arquitetura. Já trabalhou como programador visual em agências de publicidade e cursou Cinema, na Estácio de Sá, mas não concluiu o curso.

Tchello fez a foto durante uma de suas visitas à Ilha do Fundão. “Percebi o potencial da imagem já no início da construção. Quando a obra evoluiu, resolvi fotografá-la. Já tirei várias fotos da Ilha do Fundão, tenho praticamente um documentário”, brincou.

Ele soube do concurso pelos cartazes instalados na ilha. “Uma iniciativa cultural como essa é muito importante para mostrar a vida no Fundão, o potencial plástico e estético do local, o que ele tem de bonito”, ressaltou.

Milton Maurente

NAMiltonO fotógrafo Milton César Martins Maurente, 58 anos, é autor da foto Amanhecer no Fundão, que conquistou o segundo lugar. Milton trabalhou 34 anos no Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel/Eletrobras), sediado na Ilha do Fundão.

Milton disse que a foto foi feita em uma manhã de inverno. “Era cedo, o tempo estava frio e havia cerração. Ao fazer o retorno, próximo à Reitoria, deparei-me com um visual interessante. As árvores e a vegetação envolvidas pela cerração e pelo nascer do sol ganharam um tom especial. Parei o carro e fiz o registro”, relatou.

Os ensaios nos laboratórios não foram os únicos objetos registrados pelas lentes desse fotógrafo, que, durante anos, foi um incansável explorador das belezas da Ilha do Fundão. Frequentador da Prainha, que costuma chamar de "Búzios", Milton já fez centenas de imagens do local, registrando os visitantes e as variações de sua paisagem e arquitetura. 

“O concurso foi uma boa oportunidade para mostrar algumas dessas fotos”, disse Milton, sem saber que foram algumas de suas fotos da Ilha do Fundão, apresentadas há alguns anos, que inspiraram a Coordenadora de Comunicação da Coppe, Dominique Ribeiro, a idealizar o concurso Viva a Ilha do Fundão.

Aproveitamos a oportunidade para agradecer: Obrigado, Milton! 

Indira Cavalcanti Amazone Figueiredo

NAIndiraIndira Cavalcanti Amazone Figueiredo, 28 anos, é fotógrafa, publicitária e trabalha no departamento de comunicação de uma empresa do ramo de transportes. Sua foto Harmonia, que retrata a Ponte do Saber e o entorno, obteve o terceiro lugar na categoria. 

Para tirar os melhores ângulos da ponte, que considera um dos ícones mais bonitos do local, a fotógrafa não poupou esforços. “Tive que deitar no chão para conseguir a imagem da forma que  queria”, revelou Indira.

A fotógrafa, que soube do concurso pela página de um amigo no Facebook, disse ter ficado motivada quando soube que o fotógrafo Custódio Coimbra, de quem é grande admiradora, faria parte do júri. “Confesso que me sinto lisonjeada em ter uma de minhas fotos eleita por esse grande profissional”, declarou.

JURI POPULAR

Marcus Vinícius Costa de Souza

JPMarcusO doutorando  do Programa de Engenharia Mecânica da Coppe/UFRJ, Marcus Vinícius Costa de Souza, 32 anos, conquistou o primeiro prêmio pelo júri popular com a foto Caminhos Espirais para o Conhecimento. Professor de Matemática e fotógrafo profissional, Marcus Vinícius disse que o desafio de transpor em imagem uma visão sui generis do universo do conhecimento foi o que o motivou a fazer a foto. 

Marcos Vinicius começou a fotografar como hobby. "Sinto prazer em colocar a minha visão de mundo nos limites do retângulo da foto", disse o aluno da Coppe, que soube do concurso por meio de um cartaz de divulgação no campus. 

"Achei o concurso de grande relevância para o âmbito cultural da Coppe, por viabilizar a todos os agentes, da comunidade acadêmica e fora dela, a oportunidade de expor suas representações sociais. Ter participado desse concurso significou, particularmente, uma experiência única e muito satisfatória", disse.

Géssica de Albuquerque Hage

JPGessicaA foto Rotina, da aluna da Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ, Géssica de Albuquerque Hage, 22 anos,  foi eleita segunda colocada pelo júri popular. 

Géssica, que estuda Comunicação Visual Design,  começou a fotografar no ano passado e, desde então, tem sido um hábito constante em sua vida. A foto premiada foi feita da janela do banheiro do prédio da EBA.

"Acho a vista daquela janela muito bonita, e esse dia chuvoso estava especialmente bonito. Aproveitei que estava cursando a matéria de Fotografia e cliquei a foto de lá", contou.

A aluna soube do concurso pelo Facebook. "Achei ótimo ter um concurso que incentive a fotografia no Fundão. O lugar é muito bonito para passar despercebido. Adorei ter participado", disse Géssica.

Frederico Augusto Ribeiro d'Arêde

JPFredericoO artista plástico, professor de pintura e pesquisador da Escola de Belas Artes da UFRJ, Frederico Augusto Ribeiro d'Arêde, 33 anos, autor da foto Entre Tempos, conquistou o terceiro lugar na categoria popular. A foto foi feita sob os escombros do Hospital Universitário, junto à chamada "perna seca".
 
"A fotografia é um hábito, ou melhor um vício, desde aquelas máquinas automáticas 35mm ainda com os muitos rolos de negativos. Comecei no início dos anos 90 e  sempre gostei  da justaposição da imagem do concreto, do aspecto estático desse concreto junto a uma vida, a algo que tenha um tempo findo, a algo que marcasse um tempo à aparência perene dessas estruturas cinzentas", disse o autor ao falar sobre o que o inspirou a fazer a foto.

"Na época meu professor orientador  me convidou para fazer um ensaio com um grupo de dança contemporânea da UFRJ. Aceitei e fizemos um lindo ensaio, que rendeu outras duas fotos também inscritas no concurso. Como era um ensaio muito livre, aproveitei a oportunidade de estar naquele terreno tão insólito e fiz meus recortes", contou.

Frederico soube do concurso pelas redes sociais. "O concurso foi instigante, o recorte bom. É muito bom ter a chance de ter minhas fotos expostas para tanta gente e poder concorrer a um prêmio significativo. As máquinas digitais têm uma vida útil menor que as irmãs analógicas e manter o maquinário em dia é muito custoso", disse Frederico.