História

A Ilha do Fundão surgiu a partir da integração de um arquipélago formado por oito ilhas: Baiacu, Bom Jesus, Cabras, Catalão, Fundão, Pindaí do Ferreira, Pindaí do França e Sapucaia. Com objetivo de abrigar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a integração, realizada de 1949 a 1952, ocorreu por meio de aterro. 

Ilha do Fundão

A proposta de criação da Cidade Universitária já existia desde 1935, quando Gustavo Capanema era o ministro da Educação. Em outubro de 1953, o presidente Getúlio Vargas fez a inauguração simbólica do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), cujo projeto foi premiado na II Bienal Internacional de São Paulo, na categoria Edificações Hospitalares.

A arquitetura, aliás, é um capítulo à parte na história da ilha, que também abriga a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), projeto de 1957 que conquistou o primeiro prêmio na categoria Edifícios Públicos, na Exposição Internacional de Arquitetura da IV Bienal. 

Com a FAU, o arquiteto Jorge Machado Moreira prestou uma homenagem ao seu mestre, Le Corbusier, um dos ícones da arquitetura moderna, incluindo algumas referências de um projeto não executado que o arquiteto suíço naturalizado francês criou para a sede do Ministério da Educação e Saúde, que ficaria na Avenida Beira Mar. A equipe de 19 arquitetos chefiada por Jorge Machado Moreira projetou 12 prédios para a Ilha do Fundão, mas apenas 5 foram executados. Além do IPPMG e da FAU, foram erguidos a Faculdade de Engenharia, a Oficina Gráfica e o Hospital Universitário, também de 1957.

Diante da falta de recursos, as obras na ilha evoluíram lentamente. Ainda na década de 1970, um grupo de instituições de pesquisa se integrou à Cidade Universitária, com a instalação dos prédios do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes).

Apesar das transformações realizadas nas últimas seis décadas, a Ilha do Fundão ainda guarda uma série de curiosidades que marcaram a sua história.

Uma das curiosidades é o hangar de hidroaviões, instalado próximo ao alojamento dos estudantes, na antiga Ilha das Cabras. Construído no final da década de 20 pela empresa italiana Lati, abrigou aeronaves até os anos 30. Na década seguinte foi transformado pela aeronáutica em paiol para armazenamento de bombas. A instalação foi retomada em 2005 pela UFRJ e desde então costuma abrigar exposições e eventos voltados para o público, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

Próximo ao hangar está conservado o Parque do Catalão, uma reserva de 17 hectares de mata atlântica que está situada na área da antiga Ilha do Catalão e reúne 120 espécies arbóreas diferentes e 180 espécies de aves já foram registradas. A área preserva ecossistemas como manguezais e uma lagoa, que é reabastecida na maré alta.

A Ilha do Fundão abriga, também, uma das edificações do Brasil Colônia que restaram no Rio de Janeiro: a Igreja do Bom Jesus da Coluna, erguida no início do século XVIII e tombada, em 1964, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No local, encontram-se as ruínas de um convento construído por padres franciscanos. A igreja, que fica dentro da área da Companhia de Comando da 1ª Região Militar, está sendo restaurada. 

Ainda no campo das curiosidades, vale registrar que a Ilha do Fundão foi usada como circuito de rua para competições de automobilismo, de 1964 a 1965. Uma das corridas realizadas no local, em 11 de abril de 1965, foi vencida por um piloto estreante: Emerson Fittipaldi. Ao volante de um Renault 1093, ele iniciava uma carreira de sucesso, que culminou com dois títulos mundiais de Fórmula 1. 

Ao longo de seis décadas, a Ilha do Fundão sofreu várias transformações. Mantendo sintonia com o universo de ideias que abriga, é um projeto em permanente construção. O sonho de Gustavo Capanema, isto é, reunir toda a UFRJ em um só local, pode não ter sido plenamente concretizado. Mas a ilha certamente superou as expectativas do projeto original, ratificando a tese de que sonhar é preciso, tanto quanto navegar.