Anos 2000

Se, na década anterior, a Coppe aprofundou sua inserção e ganhou mais visibilidade na sociedade brasileira, nos anos 2000 a instituição ampliou seu processo de internacionalização, com um mergulho nos principais temas e dilemas do mundo globalizado – principalmente os desafios representados pelo crescimento da demanda global de energia e o agravamento da crise ambiental, com a intensificação das mudanças do clima.

Os primeiros dez anos do século XXI foram marcados, na Coppe, pelo início da operação de diversos laboratórios de grande porte, similares aos das mais importantes instituições de pesquisa europeias e norte-americanas, e pela atuação de seus pesquisadores em órgãos nacionais e internacionais de formulação de políticas, como o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC/ONU).

Também ajudou a promover uma articulação entre governo, empresas e órgãos da sociedade civil que viabilizou a construção de plataformas de petróleo no país, possibilitando a recuperação da indústria naval brasileira.

Em 2009, quando a primeira década do novo milênio chegava ao fim, a Coppe inaugurou sua primeira instituição formal de cooperação direta e sistemática com um país estrangeiro: o Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia. Criado com o apoio dos governos dos dois países, o Centro tem sede em Pequim, na Universidade de Tsinghua. Desde então, projetos voltados para as áreas de energia e meio ambiente são desenvolvidos no âmbito dessa parceria.

O século XXI na Coppe começou, de fato e simbolicamente, com a inauguração do I-2000. Mais de 80 laboratórios foram construídos em uma área de 10 mil metros quadrados, com apoio a Petrobras. As instalações até então se restringiam a pequenas áreas e salas improvisadas.  A construção do I-2000 consolidou uma nova modalidade de parceria, com a implantação de laboratórios em conjunto com empresas. Um dos primeiros exemplares da nova safra foi o Núcleo de Catálise (Nucat), um dos mais bem-equipados centros de pesquisa de catalisadores do mundo.

As instalações laboratoriais de grande porte se expandem pelo campus. Em 2003, começou a operar o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano), que tem o mais profundo tanque do mundo para a simulação de ondas e correntes oceânicas. Em 2009, foi inaugurado o Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC). Único no mundo a integrar as três áreas numa só instalação, o LNDC ocupa uma área de 9 mil metros quadrados e concentra pesquisas voltadas para a exploração do pré-sal brasileiro. O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de abertura de ambos os laboratórios.

Com infraestrutura de grande porte disponível, conhecimento técnico e intensa atividade de pesquisa nos setores naval e de óleo e gás, a Coppe ajudou a promover uma articulação entre governo, empresas e órgãos da sociedade civil para estudar a possibilidade de recuperação da combalida indústria naval brasileira. Os pesquisadores acreditavam que o momento era propício. Realizaram um seminário na Coppe, com a presença de representantes de governo, empresas e academia, para avaliar a viabilidade de construção de plataformas de petróleo no Brasil. Sim, concluíram, era possível, caso o governo investisse, por meio de encomendas, no restabelecimento do parque industrial naval, sucateado desde os anos 1980. Hoje, o setor é um dos mais florescentes da economia do Rio de Janeiro.

O LabOceano foi a primeira instalação do Parque Tecnológico do Rio, que ocupa uma área de 350 mil metros quadrados  na Cidade Universitária.  O empreendimento capitaneado pela UFRJ sedia centros de pesquisa de empresas globais, laboratórios da Coppe e de outras unidades da UFRJ e sedes de pequenas e médias empresas brasileiras intensivas em tecnologia.

Quando a primeira década do novo milênio terminou, já estavam instalados ou em instalação, no Parque Tecnológico da UFRJ, 13 centros de pesquisa de grandes corporações, 9 pequenas e médias empresas e 6 laboratórios da UFRJ, dos quais 4 eram da Coppe.

 Ao longo dos anos 2000, acumularam-se evidências de que o aquecimento global é uma realidade e, em consequência, o clima do planeta está mudando. A demanda global de energia, que se acredita estar na raiz do problema, também se intensificou. Na Coppe, multiplicaram-se as pesquisas e iniciativas para lidar com os muitos aspectos do tema.

Uma das primeiras iniciativas foi a criação, ainda em 1999, do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig). Concebido para lidar com os diferentes ângulos – tecnológicos, econômicos, políticos, sociais e ambientais – do processo de globalização, na prática concentrou ênfase nos aspectos energético-ambientais.

A Coppe apoiou o governo brasileiro na formulação e implantação do programa nacional de biocombustíveis. Integrando os Programas de Planejamento Energético, Engenharia Química e de Transportes e outras unidades da UFRJ, realizou testes químicos e mecânicos que permitiram ao governo federal aprovar a adição de até 5% de biodiesel ao óleo diesel consumido no Brasil. Instalou, no Ivig, uma planta de produção de biocombustíveis, onde pesquisadores desenvolvem e testam combustíveis alternativos aos derivados de petróleo.

 A partir de 2004, a Coppe passou a sediar e apoiar o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), um órgão de assessoria da Presidência da República que reúne representantes de diferentes setores econômicos e segmentos sociais, e formular sugestões para o governo federal. O Fórum ajudou a criar a Política e o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, enviado pelo Executivo e aprovado pelo Congresso Nacional em 2008. No ano seguinte, a Coppe também contribuiu, por meio do FBMC, para a formulação das metas voluntárias de redução das emissões de gases de efeito estufa, anunciadas pelo governo brasileiro na 15ª Conferência das Partes da ONU, realizada em Copenhague.  

No cenário internacional, desde 1990 professores da Coppe participam do IPCC, painel da ONU composto de cientistas, com o intuito de produzir relatórios periódicos para embasar convenções e acordos internacionais sobre o tema. Em 2007, vários deles integravam o grupo que publicou o quarto relatório, agraciado com o Prêmio Nobel da Paz. Em 2010, eram da Coppe 7 dos 25 cientistas brasileiros escolhidos pelo IPCC para trabalhar na elaboração do quinto relatório, com publicação prevista para 2014. Foi a maior representação brasileira. 

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